Z - 300 anos de Zumbi
1996
- Chamada (Gilberto Gil) 2:19
- Meteorum (Gilberto Gil) 6:09
- Flagelo (Gilberto Gil / Carlinhos Brown) 2:50
- Dança das Mulheres (Gilberto Gil / Rodolfo Stroeter) 2:42
- Lamento das Mulheres (Marlui Miranda) 3:17
- Dança dos Homens (Gilberto Gil / Carlinhos Brown) 3:40
- Dança da Água e da Paz (Gilberto Gil / Lelo Nazario) 6:56
- Oração (Gilberto Gil) 2:23
- Requiem (Gilberto Gil) 2:54
- Zumbi (Gilberto Gil / Carlinhos Brown) 5:06
Gilberto Gil - voz e violão
Rodolfo Stroeter - baixo acústico e elétrico
Carlinhos Brown - percussão e voz
Lelo Nazario - teclados
Marlui Miranda - voz
Lucas Santana - flautas
Gustavo di Dalva - percussão
Produzido por Rodolfo Stroeter
Gravado em setembro/95 no estúdio Nas Nuvens no Rio de Janeiro por Márcio Gama.
Mixado por Luis Paulo Serafim e Rodolfo Stroeter no Mosh Estúdios em São Paulo em outubro/95.
Foi em setembro de 95 - que Gil recebeu o convite para a criação da música de "Z". Tendo convidado a senegalesa Germaine Acogny para assinar a coreografia do Balé em comemoração aos 300 anos de nascimento de Zumbi, Ivonice Satie (então diretora do Balé da Cidade de São Paulo) procurou por Gil que me propôs a direção musical do trabalho e a parceria na criação.
Fiquei muito impressionado quando Germaine chegou. Uma mulher alta e muito ativa, idade indefinida, com uma certeza na criação e uma força de expressão muito originais.
Fomos ao Rio para uma única reunião com Gil já que ela só estaria de volta ao Brasil quando a música já estivesse gravada. Conversamos durante umas duas horas sobre as ideias e o roteiro. Com o mapa musical traçado, tivemos - eu e Gil - a intuição da participação de Carlinhos Brown e Marlui Miranda no projeto. Ambos confirmaram a participação e acertamos aí as datas de gravação.
Gil havia desenvolvido pequenos temas, que gravou em sua casa, para que expandíssemos na forma e no tempo que Germaine havia nos pedido. Em quatro sessões, o material foi totalmente criado e arranjado junto com Brown, eu, o tecladista e amigo Lelo Nazario, o percussionista Gustavo di Dalva e o flautista Lucas Santana.
Curiosamente, é um CD onde Gil atua como um vocalizador em onomatopeias musicais que se formatam intuitivamente, à maneira das cenas. Vozes que são cantos misteriosos, choros, urros, gritos e improvisos se unem à rítmica magistralmente criada por Brown numa atmosfera ora lírica, ora guerreira.
Imerso na misteriosa figura de Zumbi, Gil atua como o grande libertador.
"Z" nunca foi pensado como um disco, foi concebido e desenvolvido a partir da ideia do movimento corporal que seria vestido pela música. O que está contido em sua libertária criação musical reflete a diversificação das infinitas possibilidades sonoras do Brasil. Reafirma a profunda identidade do Brasil com a África, e ainda sugere, na amplidão de suas diversas texturas, novos caminhos a serem trilhados.
Caminhos que nos fazem pensar e sentir que a integração das artes diversas é possível, saudável e, acima de tudo, necessária.
Rodolfo Stroeter
