IHU Todos os Sons
1995
- Tchori Tchori (Índios Jaboti de Rondônia) 3:29
- Pamé Daworo (Índios Jaboti de Rondônia) 3:04
- Tche Nane (Índios Jaboti de Rondônia) 1:44
- Ñaumu (Índios Yanomami de Roraima) 2:56
- Awina - Ijain Je E' (Índios Pakaa Nova de Rondônia) 2:02
- Araruna (Índios Parakanã do Pará) 3:11
- Mena Barsáa (Índios Tukano do Amazonas) 2:22
- Bep (Índios Kayapó do Pará) 1:32
- Festa Da Flauta (Índios Nambikwara do Guaporé - MN) 3:02
- Yny Maj Hyrynh (Índios Karitiana de Rondônia / José Pereira Karitiana) 3:41
- Hirigo (Índios Tupari de Rondônia) 0:45
- Wine Merewá (Índios Suruí de Rondônia) 0:52
- Mekô Merewá (Índios Suruí de Rondônia) 1:48
- Ju Parana (Índios Juruna do Mato Grosso do Norte) 3:09
- Kworo Kango (Índios Kayapó do Pará) 3:12
- Mito - Mitumji Iarén (Índios Suyá do Mato Grosso do Norte) 4:17
- 15 Variações De Hai Nai Hai (Índios Nambikwara do Guaporé - MN) 13:35
Marlui Miranda: voz, vocais, adaptações e arranjos
Grupo Beijo: vocais
Bugge Wesseltoft: piano e teclado
Rodolfo Stroeter: contrabaixo
Paolo Vinaccia: percussão
Caíto Marcondes: percussão
Teco Cardoso: flautas
Gilberto Gil: vocais em "Pamé Dawöro", "Tche Nane" e "Ñaumu"
Direção Geral: Marlui Miranda
Produzido por Rodolfo Stroeter
Gravado nos estúdios Polifonia em Belo Horizonte por Tarso Senra, Comep e Teatro Sérgio Cardoso em São Paulo por Alberto Ranelluci e Raibow Studio em Oslo, Noruega por Jan Erik Kongshaug entre novembro/93 e março/94.
Mixado no Raibow Studio em Oslo, Noruega por Jan Erik Kongshaug
Projeto gráfico: Antonio Carlos Werneck (Xó)
IHU é uma palavra dos índios Kamayurá que significa todos os sons. Tudo. Originado do movimento ou do não movimento, IHU é tudo o que alcança o ouvido, onde também se inclui o sobrenatural, o som dos espíritos e das entidades mágicas das florestas.
No Brasil existem, ainda, cerca de 200 grupos étnicos, cada qual com sua forma particular de expressão e um universo infindável de cantos, ameaçados pelo esquecimento. Os índios fazem parte de nós e devemos conhecê-los. Sabemos um pouco sobre sua maneira de pensar, de se comportar, temos livros sobre sua arte plumária, sobre seus cestos, suas pinturas corporais. No entanto, sua música permanece como um `segredo cultural`, enterrado na região mais funda de nossos arquétipos. Este CD contém uma pequena parte do repertório musical indígena brasileiro, recolhido ao longo de duas décadas de trabalho.
O conceito musical de IHU me levou a compreender algumas maneiras de cantar a música dos povos indígenas. Para interpretá-la, procurei ser fiel ao seu timbre, à sua tradição vocal, à sua fonética sonora, mesmo sabendo que toda interpretação é subjetiva, da mesma forma mantive a estrutura melódica e rítmica originais.
A tempo: este é um trabalho de adaptação artística, sem o intuito de ser etnográfico.
Há casos em que os cantos são em línguas mortas arcaicas, os quais os índios entoam sem saberem seu significado, ou conhecendo-o parcialmente. É o que acontece com as canções Awina/Ijain Je E` e o trecho final de Yny Maj Hyrynh / Eu Canto a Vocês, que parecem ter sido interpretadas de pai para filho, há um incalculável número de anos.
Quanto ao repertório escolhidos, foram necessários anos de tentativas, experiências, arranjos, desistências, apresentações, consultas, até chegar a uma edição final, retirada de cerca de sessenta horas de gravações originais e outras fontes.
Embora tenha muito de mim, de meu esforço, de minha obstinação, de meus defeitos, de minha alma, este disco não é meu. É dos índios.
Marlui Miranda
