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Romançário
1996
  1. Romançário (Antonio Madureira) 4:20
  2. Valsa de Fim de Tarde (Antonio Madureira) 2:33
  3. Valsa de Salão (Antonio Madureira) 1:56
  4. Acalanto (Rodolfo Stroeter) 4:31
  5. Cantiga (Rodolfo Stroeter) 1:00
  6. Estrela Brilhante (Antonio Madureira) 3:55
  7. Ecos (Antonio Madureira) 2:43
  8. Solidão (Antonio Madureira) 3:46
  9. Rugendas (Antonio Madureira) 3:46
  10. Vaga Música (Antonio Madureira) 3:00
  11. Alma (Antonio Madureira) 3:40
  12. Mira (Antonio Madureira) 3:48
  13. Aiuasca (Antonio Madureira) 5:55
Rodolfo Stroeter - contrabaixo acústico e elétrico
Antonio Madureira - violão

Produzido por Rodolfo Stroeter
Gravado no estúdio Cardan em São Paulo em novembro/90 por Sergio "Shaolin" Okuda
Projeto gráfico: Ricardo Ohtake, Ligia Pedra e Monica Pasinato

A economia de meios, o caráter despojado e exato com que as composições de Antonio Madureira saem da tradição, da suave inércia das melodias que estão impregnadas em nossa memória, para se lançarem em direção às fronteiras da linguagem musical, demonstram a transcendência do "movimento armorial", do qual ele foi um dos protagonistas. Embora concisa, não nos enganemos, trata-se de uma poética polifônica, que se plasma em várias vozes. É certo que neste Romançário só duas comparecem: o violão do próprio Madureira e o contrabaixo de Rodolfo Stroeter. 
Frequentemente cada composição tem seu início em temas evocativos, com o violão trazendo à tona cantigas vagamente familiares, pertencentes a um fundo atávico. Valsas e modas vão assim se construindo em frases cuja singeleza crispa-se levemente com o timbre metálico do violão. Os fios metálicos vão se entretecendo e enquanto se projetam para o alto, vergam-se sob o peso das notas do contrabaixo. 
Quanto então a harmonia se rompe. Do âmago do que já conhecíamos, irrompe, brusco, o surpreendente. As vozes afastam-se em dissonâncias e em superposições onde cada uma não quer mais a mistura, a fusão na outra. Agora é comum o contrabaixo recusar-se a criar o fundo onde o violão finca suas pegadas. Como também assistimos ao deliberado emaranhamento dos fios que o violão vai desenovelando no espaço.
Esta, talvez, a lição de Madureira e Stroeter: de como, palmilhando o tranquilo caminho da memória, é possível topar-se de súbito com o impossível. Venha ele sob a forma de uma melodia que ainda não conseguimos aprender, venha ele sob a forma de silêncio.
Agnaldo Farias, agosto de 1996.